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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A escala referencial de propinas

(por João Lemes)* - A Lava-Jato não acabará com a corrupção, no entanto, fará uma devassa inesquecível. Mudará um país que só punia 3% dos envolvidos nos crimes de colarinho branco, conforme a Fundação Getúlio Vargas. Logo num país com a 4ª maior população carcerária, com mais de 600 mil presos e com raríssimos corruptos e corruptores nas celas, a não ser depois da Lava-Jato.

Na Lava-Jato se descobriu até uma nomenclatura terrível revelada por um dos delatores (e não me venham dizer que forçaram o cara) de que existe um “referencial de propinas”. O que seria? Simplesmente uma escala, uma “ordenação propinal” que coloca preços percentuais no que vem dos contratos municipais, estaduais ou federais.

Então, de pronto se vê que vivemos uma nova história. Vemos, pela primeira vez em séculos, que temos ex-ministros presos, senadores, deputados e até os mais ricos empresários. Por mais que essas prisões sejam por pouco tempo, já nos serve como uma lição aos demais que se acham acima da lei.

Lamentamos que muitos ainda digam que a Lava-Jato é obra das elites. Lamentamos que alguns ainda não queiram enxergar os rombos feitos por partidários. Lamentamos que muitos ainda digam que o juiz Sérgio Moro, cujas ações são analisadas por mais 9 juízes, prenda injustamente. Lamentamos ao ver alguns fazendo dos grampos o centro das atenções, como se os bilhões desviados fossem troco que alguém dá para uma criança comprar picolé na esquina.
* (jornalista)

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