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sábado, 8 de abril de 2017

A (quase) queda de um homem - Última parte

(por João Lemes) - Sexta, 07,  foi o Dia Mundial da Saúde, com foco na depressão. Se você não teve, cuide-se, um dia poderá ter. Portanto, quando ela chegar, o importante é estar preparado. Como já passei por isso, aqui dou seguimento a esse artigo para ajudar quem sofre.

A recaída
Me considero determinado, que adora desafios. Um jornal é uma grande e divertida luta. Como o meu tempo era escasso e nos fins de semana precisava trabalhar no meu jornal, no Expresso (Salto do Jacuí), acabei ficando sem poder descansar, daí aquele estresse medonho.

Assim que pude me recuperar desse mal, veio outro pior, a dita depressão. Tudo por circunstância dos medicamentos. Dizem que reviver o passado é sofrer duas vezes, nem por isso deixarei de contar que passei muito mal. Cada alvorecer representava uma tortura a mais. Só o que eu queria era morrer.

Hoje eu sou capaz de medir o que sente um drogado ao largar o vício, um ser em depressão profunda. O sujeito foge das pessoas como o diabo da cruz. Mergulha num abismo sem querer voltar à tona. Vai definhando de tal modo, que uma bala na cabeça seria o melhor remédio.

Digo isso sem medo de estar fazendo apologia ao suicídio, mas para contar como foi que eu venci a mim mesmo, é preciso usar tal palavreado. Preciso contar como foi que eu fiz para me livrar daquele mal da alma, daquela dor invisível que me corroía a cada hora.

O mal pelo qual passei me fazia sofrer duplamente ao chegar em casa e ver meu filho ainda pequeno. Sabia que ele dependia de mim e isso me deixava ainda mais triste e abatido, fraco, ansioso. Por raras vezes eu ficava alegre e, como se alguém me desligasse, caía na mais profunda angústia.

Uma vez, abandonei o serviço que fazia verificando a impressão do jornal O Semanário lá no Diário Serrano, e saí pelas ruas de Cruz Alta em completo desatino. Quase desmaiei em pleno calçadão. Naquele momento, pensei em todos. Na minha mãe, irmãos, amigos... mas foi o pensamento na Suzana que me fez levantar e pedir ajuda numa farmácia. 

Para abreviar o tempo tenebroso que passei, mais de um ano de sofrimento, escondendo a dor da esposa e do filho, até dos amigos, li muito e virei vegetariano.

Acabei me unindo a uma turma de amigos ligada aos grupos de Carismáticos da Igreja Católica. Foram eles, a família e os amigos que me ajudaram. No fim das contas, eu sabia mais sobre estresse e depressão tanto quanto um terapeuta.

Quando não restou nada daquela maldita dor da alma, me dando por curado de todo, resolvi fincar raízes na Terra dos Poetas e enfrentar os gigantes que se levantaram contra mim. E não foram poucos. Dar vida ao Expresso em Santiago e região foi outro desafio. E por falar em desafio, todos os dia temos um. 

Obs. A minha depressão foi em decorrência do estresse. Então, deixo claro que ela pode surgir por outras várias razões. Se ela chegar, lembre-se de procurar ajuda porque amanhã tudo será melhor. 

3 comentários:

  1. Prezado, 'em off': Bastante corajoso teus depoimentos sobre o estresse e a depressão que enfrentastes, João. Sem querer, fui praticamente "testemunha" desse pesadelo que tivestes: lembro que, quando tivemos problemas para rodar uma edição da Tribuna e me indicaram o contato do teu jornal, acordastes de fazer a diagramação e a impressão, acertamos os detalhes ... só que o retorno estava demorando muito... Liguei para ver o que estava ocorrendo e atendeu a Suzana que me falou que estavas "meio doente, estressado", mas que em breve me enviarias, como de fato o fez. Coisas da vida, não fosse esse problema que tivemos, logo após tua melhora, provavelmente não terias vindo após para tentar a sorte em Santiago.... e se dado bem. Fico feliz por, de certa forma, ter contribuído - apesar de minimamente - para a evolução (tanto em termos de saúde como profissionalmente) que tivestes... Coisas da vida... Saudações!

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    1. Pura das verdades, meu caro Garcia. Apesar das nossas divergências de pensamentos, admito que você foi a ponte para que eu viesse para Santiago. Agradeço-lhe por isso de todo meu coração e lhe desejo sucesso!

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    2. Pois é, comprovas o que coloquei acima. Agradeço e retribuo, prezado João, os votos de sucesso. Quanto às "divergências de pensamento" (sobretudo na esfera política e ideológica que, pelo visto, temos), são normais numa democracia - desde que, por óbvio, sempre se deem no campo das idéias, mas com o respeito devido, jamais descambando para o lado pessoal. Isso aí, a vida - e a luta - segue!!! Abç.

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