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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No país da hermenêutica

(por João Lemes) Desde 2014, há um decreto em Santa Maria determinando que os motoristas que trabalham com uma concessão pública devem usar calça ou bermuda, jeans ou social, nas cores azul e preta. Também precisam vestir camisa social ou polo, sem estampa, e o calçado precisa ser preto: sandália ou sapato. Certamente a lei foi feita para padronizar, organizar, ajeitar pelo melhor. 

Tudo certo? Não! Não para o seu Ricardo Gonçalves, que prefere a bombacha por que é gaúcho. Não está tudo certo porque no Brasil, o país da hermenêutica*, o que queremos é quebrar regras, dar jeitinho de “interpretar” a nosso modo, conforme nós achamos que seja o certo e não pela lei, pelo acordo.

Você chega num estacionamento regulamentado e coloca o carro. O guarda fala e você diz: “Mas é só por 5 minutinhos”.

Você joga um lixo num lugar público e, quando sai sua foto, diz: “Nunca joguei. Foi só hoje”.

O professor tira a prova de quem cola e dá zero. O pai do aluno diz: “Pensei que você fosse meu amigo”.

Seu Ricardo foi multado em 149 e já recorreu, mas perdeu e teve que pagar. As outras duas multas aguardam recurso. E se ele perder, terá mais um prejuízo 472. Sei que muitos especialistas já estão com peninha do seu Ricardo, dizendo que a bombacha é nosso símbolo, que é digna etc etc. Mas aí eu pergunto: não é mais fácil seguir a regra?

*Hermenêutica - ramo da Filosofia que estuda a teoria da interpretação,

14 comentários:

  1. Somos o País do jeitinho, tenho em nossa farmácia um ESTACIONAMENTO PARA CLIENTES EM COMPRAS, as câmeras do estacionamento flagram todos os dias pessoas que estacionam e saem correndo, de verdade correndo, outros até gritam 5 minutinhos...mas e o meu cliente? Já pensaram se de fato eu mandar guinchar?

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  2. Muito bem! Multa corretamente aplicada

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  3. Defendo esse senhor aí...ao menos está divulgando a nossa cultura gaúcha, coisa que muitos não fazem, depois se acham gaúchos na semana farroupilha...

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  4. Cara multar um cidadão que paga impostos,está trabalhando,por causa da sua bombacha! !!tão de brincadeira

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  5. Se os outros colegas de trabalho usam um uniforme, não é em nome da cultura que isso vai impedir que um ou mais elementos transgridam a roupagem ou o visual da empresa, e o acordo que se estabelece entre patrão/empregado... Nada a ver tradicionalismo com o vínculo empregatício e a obrigação de utilizar e vender a imagem da empresa por um uniforme, que é o correto!

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  6. Mas bombacha não é parte do traje social, no RS? Logo, não seria a calça social?

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  7. Não é uma questão de hermenêutica, mas contratual e ÉTICA: se uma maioria veste a camiseta da firma, porque um apenas quebra essa condição, usando a cultura tradicionalista como desculpa? Ele está errado.

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  8. Eu acredito que não é a roupa que você veste que determina o tipo de profissional que você é, então se ele quiser ir de bombacha qual o problema? Não vai afetar seu trabalho nem a vida de ninguém. A meu ver existe um exagero nos padrões de vestimentas a serem usadas. As pessoas avaliam demais a aparência, certamente porque vivem disso. Acho uma comparação totalmente equivocada com a situação do lixo, jogar lixo em lugar público é errado em qualquer circunstância, nesse caso não deve haver tolerância. Minha opinião.

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  9. marco aurélio ivaniski12 de janeiro de 2018 08:41

    olhando a foto me parece que a única peça do vestuário que destoa é a alpargata ou bombacha não é calça ?

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  10. O que muda a roupa de uma pessoa? Faz ele ser mais honesto, mais gentil, mais responsável? Isso está no caráter, não na roupa.No RS é assim, têm orgulho de serem gaúchos, na semana farroupilha, depois voltam a seguir a moda.Ele usa a camisa que é estabelecida, pronto.Eu qdo. uso o táxi, quero ser bem atendida, não olho a roupa que o taxista usa.Se as normas e etiquetas pudessem mudar o mundo, não estávamos do jeito que estamos.

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  11. Concordo. Se é a lei, deve ser cumprida. Se, para o bem maior, a lei for julgada ruim ou desnecessária, mude-se a lei.

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  12. Era tão absurda, que o prefeito de lá , já mudou a lei.

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  13. A apresentação desse senhor é tosca e por certo constrangeria minha família. Chinelos e coisas do gênero não são permitidos aos condutores de veículos automotores. Assim diz o CTB vigente. Se for parado numa fiscalização vai se dar mal.

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