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quarta-feira, 21 de março de 2018

Nota do Sindicato Rural

Em face às últimas matérias envolvendo a vinda do ex-presidente Lula em Estado, publicamos na íntegra o manifesto do Sindicato Rural de Santiago.
Não poderíamos ficar inertes frente ao artigo publicado pelo proprietário e editor do jornal Expresso Ilustrado e do site www.novapauta.com, Sr. João Loredi Lemes, frente à afirmação dirigida a todos os produtores rurais em um artigo na página http://www.novapauta.com/2018/03/e-nao-e-que-lula-tem-razao.html, de 21.03.2018, ao concordar com a manifestação falaciosa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e achincalhar toda uma classe que gera empregos formais, paga pesados impostos e produz o alimento que se coloca na mesa dos brasileiros e de muitos estrangeiros.

O Sr. João Lemes cita uma frase do ex-presidente Lula, que cometeu mais um equívoco histórico contra o produtor rural mesmo sentando à mesa para alimentar-se daquilo que todos os dias é produzido pelo setor primário, pelo produtor rural.

Disse Lula que “quando se dá R$ 10 pra uma pessoa pobre, ela será grata pelo resto da vida”. O ex-presidente, condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, meramente exalta a miséria. Dar R$10 reais a uma pessoa pobre não lhe ajuda a comprar sequer uma cesta básica. Então por que ao invés de lhes dar o “peixe”, não lhes dão a “vara de pescar”? O produtor oferece diuturnamente emprego, com todas as benesses e imposições legais inclusas, exigidas e fiscalizadas por órgãos como o Ministério do Trabalho. Há vagas de emprego rural e déficit de empregados rurais, e isso é fato notório. Produtores de soja, por exemplo, buscam operadores de máquinas para as plantações e colheitas e muitas vezes não se apresenta um candidato sequer para a vaga. Portanto, a demagogia é destronada pelas ações concretas dos produtores rurais, que fomentam não só os comércios locais como fomentam a geração de empregos e retiram milhões da pobreza ao oferecer-lhes empregos formais.

E segue o condenado Lula: “Já fazendeiros recebem do Governo financiamentos milionários e são mal-agradecidos”. Se os produtores rurais obtêm financiamentos do governo, após uma imensa burocracia, é porque o fim é comprovado: financiar um investimento agropecuário. E isso tem um custo, com juros e demais encargos, e um retorno que fomenta o PIB brasileiro de uma forma extraordinária. Segundo dados do Dieese e IBGE, os produtores rurais são responsáveis por ¼ do PIB brasileiro e do número de empregos, e foi o único setor que cresceu neste período de crise. Não é o caso de ser bom ou mal-agradecido: o governo oferece o crédito, o produtor rural aceita e investe em um serviço que o próprio governo impõe diversos impostos e detém o retorno amplificado do que foi oferecido a título de financiamento. Quem ganha milhões é o Estado exator pelo serviço prestado pelo próprio produtor rural.

Por fim, diz Lula: “Gostam mesmo é de dar calote”. Errado. O produtor rural gosta de produzir, de ver empregador e empregado dialogando para um melhor rendimento que terá como consequência o crescimento da produção e do setor. Quem deu o calote na nação foram os maus gestores, os falaciosos, os populistas de plantão, que, como carrapatos, sugam quem produz e paga impostos para ali adiante alegar fantasiosamente que “tirou milhões da pobreza”, quando esses na verdade apenas receberam migalhas ao invés de aprendizado e oportunidade, como os produtores rurais oferecem aos seus contratados e colaboradores.

Não obstante, alega o Sr. João Lemes, no mesmo artigo em que cita a frase de Lula, que os produtores rurais mantêm a boa balança comercial porque herdaram montanhas de terra e agora devem produzir em cima. Porém, não há diferença entre os que herdaram ou conquistaram tudo pelo suor do rosto. O direito à sucessão é consagrado no Direito brasileiro, e isso é inexorável. E realmente produzem em cima de uma terra que gera, entre outros, alimentos, empregos e que se paga impostos. E quem paga por isso não é o dono do jornal, mas sim o próprio produtor rural.

Os produtores rurais pensam, agem, produzem, detêm perdas pelos mais diversos motivos e também obtém lucros, e quando isso ocorre logicamente investem da forma que lhes aprouver, não sem antes deixar uma fatia a título de impostos, pagamento de empregados e dos custos da produção. Se eles devem e às vezes renegociam é porque infelizmente as perdas foram maiores que os lucros, e não há ninguém nessas horas para enxugar as lágrimas. O ímpeto honesto da grande e esmagadora maioria dos produtores rurais em renegociar dívidas é mais salutar do que o devedor confesso das mais diversas áreas que sequer procura o banco para tanto.

O governo nunca se obrigou a dar arrego ao produtor rural. Nunca existiu, de fato, um arrego. O governo empresta porque detém lucros com as linhas de crédito.  Já o pequeno produtor rural detém tanto financiamento quanto o grande, como foi, por exemplo, através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Em Santiago, em Unistalda, em Capão do Cipó e em todo o Brasil os produtores rurais fomentam o crescimento do PIB e abrem todos os dias novas vagas de emprego. É da terra que vem o sustento.
Por fim gostaria que este jornalista que escreveu o referido texto procurasse se assessorar de pessoas mais esclarecidas sobre o tema a discorrer e que não colocasse meros números sem uma analise conjunta dos mesmos porque Santiago é pólo de uma região e não deve ser analizado desta maneira. Lembro ainda que o senhor se intitula jornalista então aja como tal e procure informar seus leitores de forma clara e honesta como deve ser o jornalismo, se voce não conhece o agronegócio nao fale dele ou então fale de outro assunto.

Nessa senda, o Sindicato Rural de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó repudia as afirmações do ex-presidente Lula e do proprietário das referidas mídias santiaguenses, no firme propósito de defesa incessante dos produtores rurais e na luta pelo fim da corrupção e da alta carga tributária.
   (José luiz Dalosto - Pres Sindicato Rural de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó.)

Nota do blogue - A postagem, se referindo ao pronunciamento do senhor Lula contra os produtores, não teve a intenção de atingir essa ou aquela classe, mas apenas de fazer uma reflexão sobre os que realmente dão calote no governo (e isso acontece em todos os segmentos). Uma pena que ela tenha sido mal-interpretada, pois este jornalista muitas vezes defendeu os produtores, é filho de produtor e reconhece o valor de todos, assim como reconhece o valor de toda a classe produtiva, do campo ou da cidade e todos os manifestos pacíficos pela democracia. 


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